Wednesday, November 30, 2016

Quando A Tarde Morre


Red-Repost, Patrick Parenteau, 2006

O vento fino a ser lâminas e sumos de laranja. Meninas que entram pela adolescência dentro com a puberdade como uma ferida em sangue colada à boca e acordam na idade adulta numa clareira de trepadeiras carnívoras e fadas com chicotes. O renovar das sentinelas no cemitério das esplanadas. O tempo, os símbolos calados, o coração que se agarra às raízes da fala dos signos. As mãos frias sobre as mãos frias que mudam os cenários do dia. O bando de demónios esguios, trajados de negro com sombrinhas coloridas, parece um arbusto fustigado pela chuva, então dizem adeus com as mãos, e desaparecem dentro da cortina líquida. A tarde ainda grita, até que a matem o cruzar dos elétricos e o olho monstruoso da lua. O desejo nos poetas é um abismo do entendimento. Adeus.

Jesus Carlos

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Saturday, November 26, 2016

Deadly Pistachios, 303


Rush Hour II, Caras Ionut, 2012

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Wednesday, November 23, 2016

Deadly Pistachios, 302


Big Old House, Kiyo Murakami, 2010

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Saturday, November 19, 2016

Silêncio E Iluminação


Didn't Want To Be Your Ghost, Natasja Maria Fourie, 2012

Dizem que é da casa, mas não é a casa. As chuvas vieram e ele senta-se no escuro vestido de negro e prata, no centro de um tapete persa, fechado como um cadáver antigo que esperasse a alba e segura um pedaço enorme de espelho nas mãos nuas, ele olha para o espelho, tão imóvel quanto o espelho que lhe corta as mãos, ele olha para dentro do espelho, que lhe eterniza os olhos. Os seus olhos devem ser estranhos, porque brilham muito no espelho e só dessa união pode vir a luz viva que ilumina os motivos do tapete e faz as sombras dançar nas paredes brancas. Os passantes dizem que é da casa, mas não é a casa, velha seja e de fachadas altas tão soturnas. As chuvas vieram, o vento fustiga as janelas cerradas e dentro de portas arde um coração assombrado.

Jesus Carlos

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Tuesday, November 15, 2016

Spell, Quinta Da Regaleira


Palácio da Quinta da Regaleira, Nuno Lopes, 2007

Névoa ou silhueta de névoa
Entrava no jardim o sonho,
A luz morta dos candeeiros.

Branca era a lua, povoada
De raízes, de pequenos crânios.
As rosas sangravam nas áleas.

Os lábios, parentes das unhas,
Os cabelos, os lagos, os ramos.
Apago a vela e liberto-me.

Porque vagueio e vagueio
Rendo-me aos ópios da bruma,
Caio sobre os lábios da água.

Jesus Carlos

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Saturday, November 12, 2016

Deadly Pistachios, 301


Dark Lane (near to Rawdon, Leeds, Great Britain), John Illingworth, UK, 2005

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Tuesday, November 8, 2016

A Noite Escarlate


The Sweet Song of Summer, Lauren Marx, 2015

Não há coragem maior do que a salamandra no fogo, porque toda a coragem é morte e a salamandra é vida. Não há poder maior do que a mandrágora na terra, porque todo o poder é morte e a mandrágora é vida. Não há beleza maior do que o morcego na noite, porque toda a beleza é morte e o morcego é vida. Não há sabedoria maior do que a água na pedra, porque toda a sabedoria é morte e a água é vida. Não há amor maior do que o sangue no espelho, porque todo o amor é morte e o sangue é vida. Recebe este lampadário e guarda-o para além da morte.

Jesus Carlos

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Saturday, November 5, 2016

Deadly Pistachios, 300


Ouroboros, Lauren Marx, 2013

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Tuesday, November 1, 2016

Deadly Pistachios, 299


Anjelica Huston, Eve Arnold, 1968

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Moleskine de Scardanelli © 2012 (3rd edition) | Panel