Wednesday, September 28, 2016

Deadly Pistachios, 294


Doll’s Head and Goat’s Skull, Max Dupain, 1935

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Thursday, September 22, 2016

Elegia 69


(Da série Fool Death, My Playmate), Waiting For, Franz Fiedler, 1922

Não tenho amor para poemas. Apago
Os sinais. Ninguém saberá. O que aqui
Foi. Os capacetes de plumas dos cardos.
A dor dentro de muitos casacos. Je suis
A puta que vos pariu. A meia de leite.
Pastel de nada. Saem bichos das gavetas.
Por entre o agitar das árvores apagadas.

Jesus Carlos

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Monday, September 19, 2016

Deadly Pistachios, 293


Matinée de Septembre, Paul Émile Chabas, 1911

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Wednesday, September 14, 2016

Deadly Pistachios, 292


Sem título, Virginia Creeper, Northern Sierra Nevada, California, 1977

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Sunday, September 11, 2016

Nigredo I


Those We Don't Speak Of, Jerry Jones, 2009

A heráldica chora. No outono, os tronos
Cobrem-se de folhas de ouro. Ao sul, um homem
Martela as águas. Os torsos cobrem-se de sangue.
A verdade despe-se da casca das coisas.
As clareiras transformam-se em espelhos.
Os planaltos cantam. É de pedra como um rei.
Pela noite fora: chuvas, silêncio, lua.
O vento uivante crisma-o. Em sonhos sobe
Uma escadaria de rosas perfeitíssimas.
Um homem martela as águas.

Jesus Carlos

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Saturday, September 10, 2016

Sangue, Para Parsifal


L'homme Aux Lauriers, Odilon Redon, 1890

Escuta, Parsifal, o meu sangue, o meu sangue
Nunca foi branco, é vermelho, como a manhã
No velame de uma nau. Escuta, Parsifal,
Falo-te do meu sangue, do meu sangue antigo,
Que passou desertos e deu a volta ao orbe e
Foi derramado por todas as terras e épocas.
É vermelho, Parsifal, uma tenda iluminada
No eixo da tempestade, um abrigo dentro
Da neve, para a coragem, do rei e do mendigo.
O meu sangue, Parsifal, não tem descanso,
Acorda-me no retábulo da noite mais escura,
É uma ferida que não fecha, uma palavra
Impronunciada que procura o paraíso, arca
Que defende o tesouro que desafia as águas,
Manto de estrelas que no exílio vestiu Adão.
Escuta, Parsifal, o meu sangue é o único
Império do mundo: o amor da sombra que há
Debaixo dos figos doces da Terra Prometida,
A utopia do cego, do leproso e do proscrito.

Jesus Carlos
Publicado no Nº17 da Nova Águia, Revista de Cultura para o Século XXI, 1º Semestre de 2016, Ed. Zéfiro, Lisboa, 2016

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Thursday, September 8, 2016

Deadly Pistachios, 291


Flying Peacock, Ruth Cadioli, 2012

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Tuesday, September 6, 2016

Citrinitas


Flying Peacock, Sarah Chalek, 2012

Os espelhos fotografam. Dizem-no
Quando se partem. De vala em vala,
Por sonhos, na eternidade líquida
Do vidro. Para sempre fantasmas.
Cal, silêncio, com a noite por trono,
Puros e rubis, no pneuma do mundo.

Jesus Carlos

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Sunday, September 4, 2016

Deadly Pistachios, 290


(Da série A Perfect Day, Elise…) Sem título 12, Tereza Vlckova, 2007

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Friday, September 2, 2016

Deadly Pistachios, 289


(Da série A Perfect Day, Elise…) Sem título 11, Tereza Vlckova, 2007

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