Wednesday, April 27, 2016

Deadly Pistachios, 271


(Da série Helga) Lovers, Andrew Wyeth, 1981

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Wednesday, April 20, 2016

Deadly Pistachios, 270


Spring, by the sculptor François Barois, Eugène Atget, Jardin des Tuileries, 1st Arrondissement, Paris, France, 1907

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Friday, April 15, 2016

Deadly Pistachios, 269


The King of Nothing, Elton Fernandes, 2013

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Sunday, April 10, 2016

Eis Und Feuer


(Da série Mean Ceiling) Earthlings, Holly Lynton, New York, 2004

A chuva não detém nada no mundo. Ainda hoje vi um pequeno pássaro a rir no meio do caos e fazia piruetas no vendaval. Chovia, e depois começaram a cair pedaços de gelo, amêndoas vindas de um paraíso infantil, meninas de tranças bailavam dentro da neblina, por vezes gritavam, e o fogo continuou a sua conspiração ancestral no mundo. As mãos pediam que as portas se abrissem, ou tocavam com os dedos nas janelas para que as portas se abrissem, faziam o granizo cúmplice do fogo, como a música, como a névoa, o medo fugia de casa e corria pelas pontes, o medo respirava o ar limpo da noite, fundo, o medo atirava-se para dentro de um amor pleno, aéreo, áureo, metamorfoseava-se, era um ímpeto do fogo, por entre os aguaceiros, o vento, o nevoeiro, a geada, desprezava as palavras dos homens.

Jesus Carlos

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Wednesday, April 6, 2016

Deadly Pistachios, 268


Rapport 060205, Claudia Rogge, 2005

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Saturday, April 2, 2016

Triângulo


(Da série Blossoming) Earthlings, Soey Milk, 2015

Trago comigo a utopia de uma amizade maldita, como Pã na folhagem, cuja luxúria amadurece os pomos quando passa, e caem na infernia da selva, com as serpentes na erva, livres das terríveis tardes de estudo, enroscadas, em equilíbrio nos pináculos das tardes de júbilo, nos limites aéreos da alegria, entre os repuxos que cospem para o céu os patos azuis, e caem na invernia das águas, com os tanques silenciosos no torpor do dia parado, a outra realidade do jardim, com as mães e as crianças, e estas lajes nossas a vestirem o túnel que escuta as palavras proibidas, os lábios que calam os lábios, esta página de sabedoria e luxo sem fim em que nos deitamos. Olhos, os do bode, unhas, as das discípulas, tremor, o do servidor da morte, que contempla uma última vez a juventude na relva, pelos fusos verdes por onde se fundem num único ser os corpos. Gastamo-nos no pó e no vinho dos dias, mas a unha da felicidade desenha os símbolos eternos, nesta relva viva, e o cisne negro canta, entre os braços das raparigas, e dentro da coroa de folhas, o tigre, em êxtase sentado, transforma-se na mãe.

Jesus Carlos

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Moleskine de Scardanelli © 2012 (3rd edition) | Panel