Friday, November 21, 2014

Deadly Pistachios, 181


My name is Red, Diana Cretu, 2009

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Wednesday, November 19, 2014

Terminal


(Da série Face in the Crowd) Crowd 2 (Emma), Alex Prager, 2012

Para a Joana Freches Duque.

Pode ser um restaurante, e também uma estação internacional de comboios, um terminal de autocarros de longo curso perdido na noite e todas as esperas em todos os aeroportos do mundo, quando não temos antes nem depois, nos tornámos nómadas de nós mesmos e voltar é igual a partir. A minha vida acabou há muito e não me importei, fica-se vivo dentro da morte, uma singularidade adornada do estranho e do raro, que os amigos gostam de convidar para os aniversários, como o troféu de também terem vivido um dia numa tarde dourada e num sonho, com as filhas adolescentes de pestanas brilhantes e mãos de inocência adiada, as esposas de voz indolente de sono e tédio, os bonsais, a puericultura do kefir e os jipes na garagem.
Não sei onde estou, é uma sensação de restaurante em que ninguém come, bebericam um café, fumam, olham, folheiam as páginas de jornais velhos, de revistas do Verão que finda, matam o tempo à espera que mude a estação e algo exista ainda do outro lado da fronteira dos calendários, com ilhas e palmeiras de papel. Os relógios. Olhos, próximos demais dos tectos, os relógios, o porvir sem tic tac de uma era das máquinas, os ponteiros que não há num inventário de amores fortuitos, uma encruzilhada de destinos pré-marcados, nenhuma caixa exígua num embrulho de laçarotes para dois corações.
O meu comboio. O teu comboio. Chegarei, antes que partas, por um instante. Viajamos em carruagens do tempo diferentes, naufrágios de navios em mesinhas-de-cabeceira de albas e crespúsculos, que aos lábios iludem serem gémeos o nascimento e a morte, em tubos aéreos que recusamos aceitar que sejam féretros, os rolos de nuvens nocturnas por viúvas e um funeral de paisagens rápidas, com regatos, pontes, jardins de um instante e lugares longínquos de ternura insuspeita com as janelas acesas.
Tínhamos um segundo, apenas um segundo, um nada, um nada mais, um intervalo, e tu vieste, a menina escoltada por lobos, as pequeninas flores roxas trémulas de vida, a cair pelos cabelos, os seios desnudos, os dedos longos afundados na fome de um abismo de tocar, a beleza num cofre com um tesouro de cerejas e manhãs, uma saga dos perfumes do mundo a polir num vendaval a pérola cegante da brancura da tua pele e disseste, sou a tua amante desde sempre, procurei-te em cada noite dos meus dias, enquanto eu mexia a chávena da morte de mim na sala de espera da minha alma, sentado no banco de cemitério do último amanhecer da minha carne.

Jesus Carlos

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Wednesday, November 12, 2014

Deadly Pistachios, 180


Cigarette and Lips, Irving Penn, New York, USA, 1960

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Sunday, November 9, 2014

Deadly Pistachios, 179


La Noche de Juicio Final y la Lluvia Dorada, Hector Pineda, 2012

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Wednesday, November 5, 2014

Deadly Pistachios, 178


Bee on Lips, Irving Penn, New York, USA, 1995

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Moleskine de Scardanelli © 2012 (3rd edition) | Panel