Wednesday, July 30, 2014

Deadly Pistachios, 161


(Da série Alternating Weekends) Car Sleep, Warren Harold, 2012

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Monday, July 28, 2014

Deadly Pistachios, 160


Sem título, Yannis Roger, Rue de Sofia, Paris, France, Printemps 2007

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Sunday, July 27, 2014

Deadly Pistachios, 159


Inside the 'Fetish' club in Tel Aviv, Paolo Pellegrin, Israel, 2005

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Friday, July 25, 2014

Aquele Bar


Lisbon, Nightlife, David Alan Harvey, Portugal, 2002

Serpes, escorpiões, o gelo no copo, este covil,
As coisas que foram e não são, os teus olhos.
Não são pirilampos. Esquecera os brincos e
Ficaram como fulgores imponderáveis a boiar
Dentro do negrume do quarto na alucinação
Tribal. Não sabes, não poderias saber mas
Continuo a vir com as sombras. Não aparecer e
Morrer são tatuagens diferentes e os cemitérios
Passaram de moda. Noutras noites sento-me
Na mesma mesa. Sem máscara nem me vês, sou
Apenas um gajo qualquer, com o meu rosto
Não sou, com as mãos sem anéis estendidas ao
Longo da morte anunciada deste teatro de
Paredes velhas não sou quem esperas, não
Sou a faca, o estribo, a porta e nos copos altos
A vodka não se espraia para nenhum mar roxo.
Sou agora o mais banal dos homens e saio.
Para o ar quando o dia limpa o vómito da noite.
Duas cabras de látex caganitam pelos montes.

Jesus Carlos

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Thursday, July 24, 2014

Deadly Pistachios, 158


Cemetery, Josef Koudelka, Portugal, 1976

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Tuesday, July 22, 2014

Deadly Pistachios, 157


(Da série Subway) Sem título, Bruce Davidson, New York City, USA, 1980

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Monday, July 21, 2014

Life Is Gay


Sem título, Rene Burri, New York City, USA, 1980

I

– Sabe, dá-me sempre um imenso deleite conviver com gente diferente. A subcultura a que pertence cultiva a bissexualidade, não é assim?
– Olhe, para lhe dizer a verdade, nem sei bem, as pessoas confundem-me, nunca gostei de me definir e, além disso, sou muito reservado em matéria de foda, mas posso dizer-lhe que os meus acessos de tesão costumam ser com conas rapadas, penso que tem alguma relação com ser muito ligado à minha infância, a primeira vez que mexi numa foi na de uma prima, que ainda estava longe de chegar à idade do pentelho. A alma é um inferno complexo, muitas circunstâncias podem levar um homem à hipostasiação da sua imago feminina, e posso garantir-lhe que me sinto muito confortável no meu vestido de noiva.

II

Este senhor de cravo na lapela, que também gosta de caldo verde a meio da noite, fala muito de sexo e da libertação não sei do quê – mal o ouço –, diz que foi menino de seminário, que queriam fazê-lo padre e que agora é boémio, sem dúvida uma hipérbole culta para paneleiro. Suponho que quem acha que uma vida bem vivida é uma vida bem fodida deve sentir-se feliz, por ser normal. Quando me levanto da mesa ainda me pergunta, você é anarquista, não é? Lisboa está cheia de velhos tarados a quem Deus foi ao cu e se metamorfosearam em comunistas.

III

São bonitos os meus olhos no espelho, por um instante, depois o aguaceiro agita tudo e transformam-se como se não fossem meus, o turvor apaga-os e as águas do Tejo levam-nos. A noite acabou. Dentro da escuridão sei que não virás, com as tuas unhas de porcelana partida, que te perdi para sempre. Não sei porque volto? Porque voltam os olhos?

Jesus Carlos

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Sunday, July 20, 2014

Deadly Pistachios, 156


(Da série Subway) Sem título, Bruce Davidson, New York City, USA, 1980

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Saturday, July 19, 2014

São Cipriano


(Da série Subway) Sem título, Bruce Davidson, New York City, USA, 1980

Três resmas de decretos, treze piças moles, três bigodes de rata, sete pares de cuecas de banqueiro e setenta DVDs porno, fazes um unguento a lume brando e bezuntas-te com ele, dás sete voltas a uma igreja na lua cheia, baixas as calças e metes-te de cu para o ar.

Jesus Carlos

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Friday, July 18, 2014

Deadly Pistachios, 155


(Da série Subway) Sem título, Bruce Davidson, New York City, USA, 1980

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Thursday, July 17, 2014

Deadly Pistachios, 154


(Da série Subway) Sem título, Bruce Davidson, New York City, USA, 1980

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Wednesday, July 16, 2014

Deadly Pistachios, 153


(Da série Subway) Sem título, Bruce Davidson, New York City, USA, 1980

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Tuesday, July 15, 2014

The Sick Rose


Leda, Ralph Gibson, 1999

O rose, thou art sick.
The invisible worm,
That flies in the night
In the howling storm,

Has found out thy bed
Of crimson joy:
And his dark secret love
Does thy life destroy.

A Rosa Doente

Oh rosa, és tão doente.
O invisível rastejante,
Que esvoaça na noite
Na tempestade uivante,

A descobrir o teu leito
De purpurino gozo foi:
E o seu atro amor secreto
Como a tua vida destrói.

William Blake
Tradução de Jesus Carlos

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Monday, July 14, 2014

Deadly Pistachios, 152


(Da série Animal Attraction) Bette Franke (para a Dazed & Confused), Jeff Bark, April 2012

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Saturday, July 12, 2014

Deadly Pistachios, 151


Young Boy and Skull, Magnus Enckell, 1893

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Friday, July 11, 2014

Deadly Pistachios, 150


Human Butterfly, Emil Schildt, 2002

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Thursday, July 10, 2014

Azulejo


The stars in the night sky are innumerable, Chen Wei, 2010

Aqueles que não perceberam ainda esta casa, deveriam conhecer a infância do seu hóspede, pobre órfão abandonado em petiz e entregue a uma anciã corcunda de melena desgrenhada, com uma verruga no nariz e um fetiche por vassouras.

Jesus Carlos

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Wednesday, July 9, 2014

Deadly Pistachios, 149


Pythagoreans Celebrate Sunrise, Fyodor Bronnikov, 1869

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Tuesday, July 8, 2014

John Keats


Third Action, Rudolf Schwarzkogler, 1965

Hyperion's Heaven And Eve

Ao acordar entre seios e perfumes, entre longos plácidos cabelos negros e endemoinhados cabelos louros, à beira de um lago entre frias e belas pernas, olhou para si num pequeno espelho redondo, durante muito, muito tempo, até que os olhos lhe ficaram brancos e o júbilo e a fervura dos dias devoraram o seu nome: uniam-se dentro de si a rosa e a violeta, num horror novo, indizível.

The Ascent Of Hyperion

Caminhou por planuras de cardos e desertos de pó e deitou-se ao fresco de estátuas antigas, com o luar de roxo incendiado e os bandos cristalinos de astros a assombrarem-lhe de espectros vermelhos as pálpebras cerradas. Deixou-se levar pelo sono sagrado e morreu e ressuscitou. Não mais amaria os homens e as cidades, era agora a serpente em pé, o olhar do abismo sobre o sol, as páginas rasgadas no livro proibido reunidas em carne e sangue, via através da pedra, ouvia o lamento contínuo de cada e toda exígua desprezada vida que rastejava pelo mundo, quando tocava numa rosa as lagartas e as moscas mudavam-se para as suas mãos. Implorou piedade e o vento cantou em seu redor com grande fúria e folhas começaram a cair das árvores.

Jesus Carlos

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Monday, July 7, 2014

Dark Room


(Da série Dernier Voyage) Sem título, Antoine D'Agata, 2008

Nada há de mais vil que esta escuridão enterrada na noite. Aqui cães esfaimados trucidaram porquinhos de peluche e bonecas foram pregadas nas paredes. As sombras aplaudiram, sabem que são imunes ao julgamento dos homens. O porteiro abriu a porta e eu fechei-a.
As sombras tocaram as sombras, tactearam, ó simulacro de um teatro de cegos e pedintes, o caminho para as bocas e os sexos, porque a treva deste túmulo apaga o amor dos rostos e abre todas as valas do inferno.
Lá fora, as conchas e os seixos brilharão sempre ao sol, porém a luz é um véu, um vestido de carnaval da morte, e quanto mais fundo mais negro é o mar e, então, igual a todas, é outra vez noite.

Jesus Carlos

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Sunday, July 6, 2014

Deadly Pistachios, 148


Road – Natural, Jin Kazama, Russia, 2004

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Saturday, July 5, 2014

Corpus Delicti


Coimbra, The University, Josef Koudelka, Portugal, 2004

Na próxima vida regressarei para ser feliz, entre o Choupal e a Lapa, um menino mais de capa preta, a subir por escadas e ruelas, ao largo alto das estátuas da sabedoria. Não te preocupes, agora está tudo bem, como se lavasse com o meu sangue os teus pés nus e os meus versos cantassem os teus seios de pedra verde, eternos na praça desértica e fria, quando a música saía pelo vidro aberto e dançava por dentro do nevoeiro. Vivi tanta coisa a que quero voltar e lembrar-me, mas a dor é um poeta com um lápis branco. Vou-me embora.

Jesus Carlos

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Friday, July 4, 2014

Deadly Pistachios, 147


Pandora, Toshihiro Oshima, 2008

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Thursday, July 3, 2014

Absinto


Pez de Abril, Flor Garduño, 2004

O tempo anda chocho e ultimamente ando a ler pouco, descobri um novo hobby, vir apanhar ar para o terraço quando as boazonas das universitárias da frente escancaram a nudez na janela iluminada, pode dizer-se que também ando a substituir a leitura pela televisão. Nem paciência para os jornais, mordisco os títulos, entre o chá e a torrada e dou por mim a divagar sobre coisas inconspícuas, o brilho de um anel no vidro, uns lábios mal pintados, as conversas que se levantam para que as ouça e a vantagem intelectual dos leitores de mp3.
Estou no café com o moleskine que me ofereceram, mas continua virgem e nunca o tiro do bolso, opto pelos guardanapos, sempre tive pudor que me confundam com alguém que escreve. Não acredito na escrita como uma obrigação da inteligência e gosto de pintar as unhas das palavras, que se fodam os ministros tirânicos, o Acordo Ortográfico, as miúdas violadas nas praches académicas, os gestores corruptos, os estrangulamentos passionais e os traficantes de droga.
Hoje o dia está indecidível e o vapor do chá é uma bela metáfora. As mulheres acham que tenho ar de poeta e depois dizem que tenho mãos de pianista, quando tentam adivinhar-me a profissão escolhem actividades artísticas, o que nelas é compreensível, e as meninas em idade das grandes experiências de alcova pensam que tenho uma banda. Sou irreal, uma sombra esguia a quem o vento tenta roubar o cabelo.
Uma vez, num urinol, um puto que parecia o meu clone veio destapar o pirilau no camarote do lado, olhou fixamente para mim e, ó pá, tu não és o guitarrista dos Black Dildo? A vida pode ser uma viagem excruciante. A minha tia-avó sempre achou que eu era uma criança muito distraída. Gostava que fosse Sábado em Pasárgada todos os dias.

Jesus Carlos

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Wednesday, July 2, 2014

Deadly Pistachios, 146


The Intelligence of Evil 6, Andrea Galvani, Italy, 2007

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Tuesday, July 1, 2014

Cosmonaut At London Bridge


Commuters on London Bridge, Peter Marlow, London, England, UK, 1993

Ela tinha dezasseis anos e um fotoblogue com muitas fotografias, numa delas simulava felatio a um vibrador. Ele já não tinha idade, escrevia num blogue sobre ciência e andava sempre preocupado com quarks e sparks. Encontraram-se num hotel, com a luz dos néons, amarela, rubra, branca, a invadir o quarto como uma presença sobrenatural e as sirenes das ambulâncias e dos carros de polícia ao longe, no silêncio assustador, entre os valados da noite.
A vida continuou. Ele desenvolveu uma teoria sobre a internet e as relações humanas que espraiava por conferências. Ela continuou a crescer com corridas na praia, noites de discoteca, chupa-chupas e acabou uma licenciatura em Educação Física, dava conselhos em revistas femininas, aparecia em programas de TV.
Estiveram juntos uma só interminável noite e quando se lembravam um do outro ligavam os computadores e iam espreitar velhos túmulos de palavras perdidos na web, entre – ele e ela – magazines de ficção científica e sites de fetichismo.

Jesus Carlos

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Moleskine de Scardanelli © 2012 (3rd edition) | Panel